O jogo do prazer, do sofrimento e da felicidade.

Se estiver com frio aproxime-se do fogo, isso o aquecerá e dará prazer, continue próximo ao fogo e ele incomodará, continue ainda mais e ele o queimará.

Coma um tablete de chocolate e ele lhe dará prazer, continue comendo e começará a ficar enjoado, coma mais ainda e passará mal.

O prazer e o sofrimento são nossos mestres, sempre que não nos prendemos nem a um nem ao outro aprendemos, evoluímos e entendemos. Se nos prendemos ao prazer somos levados ao sofrimento. Se nos prendemos ao sofrimento vamos para depressão.

Quanto mais queremos um ou outro, mais altos e baixos em nossa vida. E isto explica porque são avessos à felicidade. Prazer é limitado pelo tempo, circunstância e assim que experimentamos algo que nos dá prazer e nos apegamos a essa experiência estamos cada vez mais focados no passado. Viver no passado é a porta da depressão. Ou quando sentimos prazer e buscamos senti-lo novamente, estamos vivendo no futuro. Isto nos torna ansiosos.

O prazer tem o aval químico do nosso corpo. Quando comemos um doce, liberamos uma carga rápida de dopamina. Quando se cheira cocaína é a mesma coisa. É prazer na veia e aí temos o rebote:  e então ou ingerimos mais dessas substâncias, situações que nos dão prazer, ou ficamos mal.

Quer dizer que o prazer é ruim? Não, ele não é ruim. Nos prendermos  a ele é que é ruim. O entendimento de que tudo é um momento e que esse momento se torna eterno quanto mais vivemos esse momento, podemos ter o prazer como porta para meditação e muito mais. Assim como o sofrimento que pode conduzir a pessoa para um estado de imersão tão profunda no sofrimento e com isso conduzi-la para o entendimento.

É ruim quando se cria um padrão comportamental em que se acha só no exterior estas chaves, que só se sente bem com algo externo, minando assim o nosso poder e nos diminuindo. Cedendo ao molde comportamental da sociedade que tira a força das pessoas e aumenta as necessidades delas por algo externo. Porque a obesidade cresce a largos passos? Porque o consumismo cresce a largos passos? Sociedades moldando pessoas a terem, terem, terem. Complicando ao invés de simplificar, bombardeando as pessoas de necessidades e informações. Mantendo-as ignorantes, sem força, mantendo assim o gado sob controle.

Então o que é felicidade? Para responder essa pergunta vamos primeiro responder: o que nos leva a um estado de infelicidade? E a resposta é simples divagação mental, pensar em uma coisa enquanto faz outra. Trabalhar pensando em ir para praia ou ir para praia pensando no trabalho. Um estado de infelicidade é sempre precedido desse processo. Podemos estar fazendo a coisa mais legal do mundo, podemos estar com a pessoa mais legal do mundo, podemos estar no lugar mais lindo do mundo, mas se começarmos a divagar estaremos caminhando para a infelicidade, para a insatisfação.

Ao entender que a divagação mental nos tira do presente, ter pensamentos em coisas aleatórias nos afasta do que estamos fazendo seja lá o que for. Para encontrar a felicidade devemos começar focando no que estamos fazendo no presente. Quais são as ferramentas para isso? Gratidão e meditação.

Vou contar uma história: certa vez decidi fazer um retiro no escuro na casa em que morava, então construí uma caverna particular. Estava eu recolhido treinando minha mente, iniciando uma meditação, quando a kundalini se agitou e junto dela meus pensamentos. Nesse momento pensei nos meus filhos, na Mari e agradeci do fundo do meu coração. Minha mente se acalmou e pude vivenciar um estado maravilhoso de felicidade e profundo amor.

Quando dispersamos estamos alimentando a infelicidade. Hoje vivemos uma era em  que a tecnologia perdeu totalmente o seu princípio que era de facilitar a vida das pessoas. Observe o quanto o facebook, o whatsapp, a internet consome de tempo das pessoas. O que era para ajudar se tornou um grande vilão. Vemos cada vez mais depressão, mais pessoas infelizes, mais problemas. Porque se perdeu o foco: se alimentou a mente com possibilidades de divagar.

Estamos na era da informação, somos bombardeados por informação a todo instante. É muito comum eu chegar na escola e escutar alguns alunos, você viu isso? Você viu aquilo? Você viu a notícia? ... E eles sofrem com isso. Ou aquele aluno que termina o ensino médio, vai para a faculdade, cursos de férias, emenda uma pós, um mestrado, mais cursos e não para e vê o que quer. Ele é engolido por essa necessidade de informação e distração mental.

É muito comum pessoas infelizes com seus trabalhos, com seus relacionamentos, com suas vidas chegarem até mim e sempre vejo esse excesso de informação por trás, essa tendência a divagar da mente está presente em todos nós, mas ao poluirmos nossa cabeça com informação damos mais subsídio para a divagação.

O excesso de teoria sem prática é muito ruim só sabe o que é sexo quem faz na prática, na teoria é lindo é maravilhoso, mas é teoria e não tem nada a ver com a prática. Agora vamos imaginar dois jovens um leu e leu e leu milhões de coisas sobre sexo na internet e assistiu vários filmes. O outro perguntou para seus pais que explicaram e deram um caminho. Pergunto quem provavelmente vivenciou melhor sua experiência sexual? Aquele que tinha um caminho e pôde se concentrar nele ou aquele que tinha um zilhão de coisas na cabeça e sua mente divagou?

Devemos observar que para a relação sexual poder ir além do prazer ela deve focar no entendimento, na evolução, no saber. Se você se prende no prazer mais cedo ou mais tarde ela se tornará chata e um sofrimento. Será totalmente limitada sua experiência sexual dessa forma, mas quando vamos além do prazer sem deixar de senti-lo apenas mudando o foco temos uma das mais poderosas ferramentas para se viver o presente, a felicidade e o saber.

O conhecimento também não significa algo necessariamente positivo. Quantos médicos fumam? Eles tem o conhecimento e nem por isso entenderam a mensagem.

Agora o entendimento sim está ligado à felicidade: sat, chitti, ananda. O saber que é proveniente da meditação traz ananda que é o estado de alegria incondicional. O treino da meditação faz com que nos tornemos mais presentes, consequentemente mais felizes. 

Disso podemos entender que a felicidade vem de vivermos o momento presente e isso não se encontra fora de nós. O presente está dentro de nós. É o agora, é abrir os olhos e ver, é fechar os olhos e ver ainda mais, é abraçar e sentir o abraço, é fazer maithuna (relação sexual tântrica) e se fundir com o parceiro tornando-se um só.