Kriyás, as purificações orgânicas


         
A limpeza do corpo quando pensamos em kriyá, vai além da noção de higiene externa pura e simples, tomar um banho escovar os dentes. Kriyá significa literalmente atividade, e são exercícios de purificação típicos do Prakriti Yoga. Consistem em uma verdadeira arte de limpar o corpo, por dentro e por fora. As técnicas de purificação orgânicas mais importantes são o shat karma e o shanka prakshálana. O shat karma (as seis ações) é um conjunto de técnicas de purificação: kapálabháti, trátaka, nauli, neti, dhauti e basti (vasti).

        Kapálabháti, trátaka e o nauli além de purificar o organismo, trabalham também o fluxo de energia e a mente. Os outros três atuam na parte interna do corpo, purificando e equilibrando os três humores, que se constituem pela interação entre os cinco elementos: vata (ar e espaço), pitta (fogo) e kapha (água e terra). O equilíbrio dos doshas possibilita o correto funcionamento fisiológico. Quando um deles se desequilibra acontecem as doenças. Estas técnicas se fazem para reequilibrar os humores corporais.

        O shanka prakshálana trata-se de uma lavagem do trato digestivo e intestinal feita ingerindo-se uma grande quantidade de água ou chá, fazendo-a circular e expelindo-a sucessivas vezes pelos intestinos, com auxilio de ásanas ou de nauli. 


1 – KAPÁLABHÁTI


        Kapála crânio, bháti brilhante; crânio brilhante, o que define claramente a sensação que se tem ao fazê-lo. No kapálabháti enviamos uma carga extra de oxigênio ao cérebro, que causa uma sensação de brilho. Esta técnica proporciona uma limpeza total das vias respiratórias.

        Devido à hiperoxigenação causada pelo exercício, ele deve ser preferencialmente ser realizado sentado: Inspire com suavidade e profundamente e, sem reter o ar, expire vigorosamente pelas narinas, com bastante força e ruído, contraindo o abdômen.  Volte a inspirar de forma completa, iniciando assim novamente todo processo. Lembre-se de permanecer com a face descontraída, as costas eretas e com o mínimo de movimentação dos ombros. Faça isto pelo menos quinze vezes.

        É aconselhável utilizar um lenço debaixo das narinas, para reter nele o excesso de mucosidade que será expelido durante o exercício. 

O kapálabháti limpa as vias respiratórias, tonifica e fortalece a musculatura diafragmática, além de toda musculatura respiratória, gera uma hiperoxigenação eficaz para eliminar estados depressivos. Também auxilia muito quem precisa de raciocínio rápido. Proporciona excelente oxigenação cerebral, limpando e purificando os pulmões e revigorando os órgãos. Produz um certo estado de euforia, aumenta a confiança em si próprio e a capacidade de controlar a mente. Desperta as faculdades sutis da percepção.

        Existem três formas de kapálabháti:

§  váta krama, expiração rápida e vigorosa, como está descrita acima;

§  vyut krama, introdução da água morna pelo nariz e eliminando-a pela boca,

§  shít krama, absorção da água morna pela boca e expulsando-a com um sopro pelo nariz.

2 – TRÁTAKA


        Trátaka é a limpeza dos globos oculares e treinamento para melhorar a visão. Tem atuação muito rápida para astigmatismo e hipermetropia limpando e tonificando os músculos e nervos ópticos, assim como para descansar a visão. Desenvolve força de vontade e intuição e favorece a meditação, podendo ser utilizados como kriyá ou como exercício de dhárana. Basicamente, os diferentes tipos de trátaka consistem em fixar firmemente o olhar em um ponto ou em fazer certos movimentos de rotação, alongando músculos e nervos oculares. O exercício freqüente de trátaka aumenta o campo de visão. Existem três tipos de trátaka:
 

  • Bahiranga trátaka, externo, que trata-se da fixação do olhar em algum ponto externo, um objeto, uma flor, uma árvore, uma folha, um yantra, a chama de uma vela, a foto do Mestre, uma estrela, em um dia de céu bem azul olha-lo infinitamente, olhar o sol poente ou nascente (deve-se tomar cuidado para não permanecer muito tempo com sol muito forte), o exercício deve ser realizado sem piscar, até lacrimejar. Outra forma de se realizar o bahiranga trátaka, estando sentado em qualquer dhyanásana, estenda seu braço direito à frente com a mão fechada e o dedo polegar estendido voltado para cima. Fixe o olhar na ponta do polegar e mantendo a cabeça voltada para frente leve o braço para o lado direito, deslocando-o muito lentamente primeiro para o lado, depois para cima e por fim para baixo, acompanhando o dedo com os olhos. Repita o mesmo para o outro lado. Podem ser realizados movimentos circulares, trazer o polegar até a ponta do nariz, até o ponto entre os olhos e também no intercílio. A movimentação dos olhos também pode ser feita sem o auxilio do polegar. Para finalizar, atrite as palmas das mãos uma na outra até esquenta-las, então aproxime-as dos olhos sentindo a transmissão da energia, visualizando-os em perfeitas condições funcionamento. 
  • Antaranga trátaka é um exercício interno, que envolve visualização. Imagina-se qualquer objeto, símbolo ou yantra dentro da cabeça, na altura do intercílio, buscando a visão nítida da mesma forma que se conseguiria com os olhos abertos.  

3 – NAULI


        Limpeza dos intestinos e dos órgãos abdominais por massageamento. Consiste no isolamento do músculo reto abdominal, pressionando os órgãos internos contra a espinha dorsal e sugando ao máximo o diafragma em direção ao pescoço, ao mesmo tempo em que se imprime um movimento ondulante à musculatura do ventre. Deve fazer-se com os pulmões vazios.

        Quando os músculos abominais giram em sentido horário, o exercício recebe o nome de dakshinah nauli. Ao girar em sentido anti-horário, chama-se vámah nauli. Ao isolar-se os músculos ao centro, temos o madhyama nauli.

Para fazer nauli kriyá, acompanhe cuidadosamente estas instruções: Em pé, com os pés paralelos e separados de dois a três palmos, apóie as mãos sobre a parte alta das coxas com os dedos voltados para dentro e flexione levemente os joelhos, inclinando-se um pouco à frente.

        Expire profundamente, contraia vigorosamente a parede abdominal para cima e para trás, forçando o músculo reto abdominal a projetar-se à frente. Transfira então o apoio do tronco para o braço direito, mantendo o abdômen contraído. O reto tenderá a deslocar-se para esse lado. Em seguida mude o apoio, deslocando-o para a esquerda. Por fim, pressione firmemente ambos os lados, projetando o músculo para frente. Treine bastante desta forma, até conseguir efetivamente isolá-lo.

        Depois passe à fase dinâmica: expire e contraia bem o abdômen, provocando um movimento ondulante e girando o reto para ambos os lados: primeiramente em sentido horário, deslocando o reto para a direita, para o centro e para a esquerda, promovendo com isso uma massagem fortíssima nos órgãos internos. Repita essa movimentação o número de vezes que conseguir, sempre mantendo os pulmões vazios. Precisando inspirar, cesse o exercício, descanse durante alguns fôlegos e reinicie-o, até completar um mínimo de cem contrações fortes e cadenciadas. Logo faça o nauli kriyá em sentido anti-horário: para a esquerda, ao centro e para a direita, procedendo da mesma forma.

        Quando realizado no sentido horário o nauli estimula a excreção, quando realizado no sentido anti-horário retém a mesma.


  
4 – NETI


        Neti kriyá é a atividade de purificação das mucosas nasais, são elas:

·       jala neti, que se faz com água,

·       sútra neti, que se faz usando um cordão,

·       dugdha neti, com leite,

·       ghrita neti, na qual usa-se ghee, manteiga (indiana) clarificada.

 O neti kriyá limpa as narinas, elimina o excesso de mucosidade acumulado nos seios nasais e frontais, estimula o ájña chakra e desenvolve a clarividência, é ótimo contra males dos seios frontais e nasais, como sinusite, enxaquecas, rinites, corizas ou resfriados e ainda favorece a saúde das regiões cerebral, cervical e escapular. Cabe ressalvar que está contra-indicado para pessoas que sofrem de hemorragias nasais freqüentes.


Jala neti


        Jala significa água. Jala neti é a limpeza das narinas feita com água salgada. Para fazer este kriyá necessita-se de um pequeno bule de cerâmica, chamado lota. A água utilizada deve ser mineral, morna e salgada na proporção de uma colher de sobremesa de sal para um litro de água. Se a água estiver pouco ou demasiado salgada, poderá sentir uma leve dor na altura dos seios frontais e ardência na mucosa nasal. Uma boa opção é a utilização de soro fisiológico, pois já está na proporção ideal. Caso queira tonificar os vasos sangüíneos desta área, utilize água fria. Isto melhora a circulação e evita hemorragias nasais.


        Fique em pé, com o tronco ligeiramente inclinado para frente e incline a cabeça para o lado direito. Coloque o bico do lota na narina esquerda e incline-o, permitindo que a água entre por essa fossa e saia pela outra. A passagem da água deve ser natural e sem esforço. Isto vai depender da inclinação da cabeça. Mantenha a boca entreaberta e respire por ela. Havendo esvaziado o recipiente, deixe o tronco na mesma posição e o rosto agora voltado para baixo. Execute kapálabháti a fim de extrair o restante da água. Em seguida, observando as mesmas instruções, faça fluir a água da fossa nasal esquerda para a direita.

 

5 – DHAUTI

       Dhauti significa limpar, lavar, purificar. Dividindo-se nos seguintes grupos: 

  • Antar dhauti, que compreende diversas técnicas para a limpeza dos órgãos internos;

·       Agnisára dhauti, limpeza das vísceras e redução do abdômen;

·       Bahiskrita dhauti, limpeza do reto com água ou ar;

·       Varisara dhauti, lavagem de todo tubo digestivo com água, desde a boca até o reto;

·       Vátasára dhauti, limpeza do estômago com ar.

 

  • Danta dhauti grupo de exercícios para limpeza dos dentes e órgãos dos sentidos;

·       Danta dhauti, limpeza dos dentes;

·       Danta múla dhauti, limpeza da raiz dos dentes;

·       Jíhva dhauti ou jíhva shodhana, limpeza da língua;

·       Karna dhauti, limpeza dos canais auditivos;

·       Kapálarandhra dhauti, limpeza dos seios frontais e da pineal; 

·       Chakshu dhauti, lavagem dos olhos.

 

  • Hrid dhauti é descrito como purificação do coração, mas que também atua sobre os órgãos internos.

 

  • Múla shodhana, que consiste em fazer a lavagem do reto.



Antar dhauti

 

        Antar, que significa interno, é um dhauti que envolve quatro técnicas para a desintoxicação dos órgãos internos: vátasára na qual utiliza-se o elemento ar; várisára onde é utilizado o elemento água; vahnisára ou agnisára, a limpeza feita através do elemento fogo e bahiskrita, a lavagem do reto.


        Vátasára dhauti é um método de difícil execução, acessível apenas para aqueles praticantes que adquiriram um bom conhecimento e domínio do corpo. Váta é ar em sânscrito. Vátasára dhauti kriyá é a purificação do estômago, feita utilizando ar.


        A técnica consiste em sorver ar pela boca, através do bico de corvo (kaki mudrá, gesto que consiste em fechar os lábios, deixando uma abertura circular pela qual flui o ar), até encher todo o estômago. Faz-se o ar circular por ele e em seguida executa-se uma posição de inversão. A melhor delas é o sarvangásana, invertida sobre os ombros, com os joelhos flexionados tocando a testa ou o chão. Desta forma o ar será pressionado, empurrado para os intestinos e expelido naturalmente. Caso surja alguma dificuldade, é possível eliminar o ar através da permanência no mayurásana. O Gheranda Samhitá, diz que este dhauti purifica o corpo, evita diversas enfermidades e aumenta a secreção do suco gástrico.    

        Várisára dhauti Vári significa água e é a lavagem do estômago com água. Em jejum, bebem-se de quatro a seis copos de água morna e salgada e executam-se vários ciclos de nauli kriyá. Em seguida, se faz uma massagem com os dedos médio e indicador na raiz da língua, para provocar o vômito. Em utkásana, sentado de cócoras, expulsa-se toda a água. As unhas devem estar bem cortadas, caso contrário você poderá machucar a garganta. Repete-se o exercício mais três vezes: água, nauli, vomição. É importante a repetição desta vomição, pois não é possível purificar a vesícula biliar logo na primeira execução. Eliminando o excesso de bílis, estimulamos o funcionamento de todos os órgãos internos: fígado, rins, baço, pâncreas, estômago, pulmões e coração. Acaba com as disfunções provocadas pelo excedente de muco, azia, dispepsia e outros males do aparelho digestivo. Aumenta a saúde, a força de vontade, o ânimo e a disposição.

       

Vastra dhauti ou váso dhauti é a limpeza do estômago com uma tira de gaze de algodão umedecida. Deve ser ingerida lenta e cuidadosamente, deixando uma parte dela para fora; em seguida executam-se alguns ciclos de nauli kriyá, mantendo-a no máximo durante quinze minutos no estômago.


        Este dhauti reveste algum risco para a saúde caso seja mal executado, razão pela qual pedimos ao nosso caro leitor que o faça apenas sob a supervisão direta de um instrutor qualificado e responsável.


        Aconselha-se fazer alguns ciclos de kapálabháti em seguida. Procure não comer ou tomar banho até meia hora após a execução deste dhauti. É conveniente evitar a ingestão de alimentos crus na primeira refeição. O vámana dhauti não precisa fazer-se com demasiada freqüência: uma vez a cada quinze dias ou uma vez por mês serão suficientes para manter o aparelho digestivo em perfeito estado.


        Agnisára ou vahnisára dhauti. Esta técnica dinamiza o elemento fogo no interior do corpo, associado ao váyu samána, o ar vital responsável pela correta assimilação dos alimentos. Agni significa precisamente fogo. O agnisára dhauti consiste em executar cem contrações abdominais em um só shúnyaka (retenção com os pulmões vazios).


        Sente-se em posição de meditação. Apóie as mãos nos joelhos e deixe o tronco ligeiramente inclinado para frente. Elimine todo o ar dos pulmões, execute jalándhara bandha (contração da garganta, trazendo o queixo em direção ao esterno) e contraia vigorosamente o abdômen, como se quisesse tocar com o umbigo na coluna vertebral. Em seguida relaxe a musculatura. Contraia e relaxe inúmeras vezes de forma intensa e dinâmica, enquanto mantém os pulmões vazios. Este dhauti aumenta a força de vontade e o fogo interno.

        Bahiskrita dhauti é a limpeza do reto. Esta limpeza é feita com água: deve-se ficar submerso na água até a altura do umbigo e lavar o reto com os dedos. Também pode utilizar-se ar em lugar de água. Bahiskrita significa colocar para fora, exterior. O nome derivaria da qualidade que alguns yogis teriam de fazer esta lavagem pondo o reto e o cólon para fora do corpo para poder lavá-los, após ter enchido de ar o estômago e tê-lo expelido pelos intestinos, segundo está exposto nas escrituras. Obviamente, não é a nossa intenção que você sequer tente fazer isto: fica registrado aqui apenas a título de curiosidade.

 

 

Danta Dhauti,embora a palavra danta signifique apenas dente, o danta dhauti inclui as seguintes purificações: danta múla dhauti, limpeza da raiz dos dentes; jihva dhauti ou jihva shodhana, a lavagem da língua; karna dhauti, asseio dos canais auditivos; kapálarandhra dhauti desobstrução dos seios nasais; e chakshu dhauti, ablução dos olhos.


        Para fazer a limpeza dos dentes de acordo com a tradição, emprega-se pó de catechu, que é esfregado nos dentes a fim de limpá-los bem. Atualmente encontram-se diversos produtos à base de ervas ou argila para esta finalidade. Ou mesmo cremes dentais. Como sucedâneo, podemos servir-nos da combinação de azeite de oliva com sal. Misturam-se estes dois ingredientes e com o dedo indicador esfrega-se o preparado nos dentes e nas gengivas. Se for utilizar escova dental, escolha aquelas de cerdas macias e escove-se fazendo movimentos circulares. Evite os movimentos horizontais, pois isso pode prejudicar o esmalte dos dentes. Utilize fio dental para remover os resíduos acumulados nas cavidades.


        Danta múla dhauti: a purificação da raiz dos dentes faz-se pressionando com força os maxilares fechando bem a musculatura da mandíbula. O danta múla dhauti inclui também a purificação e a massagem das gengivas. Para essa finalidade aconselha-se a ingestão de alimentos de textura firme, como: frutas secas, amêndoas, castanhas, nozes ou ainda torradas e outros alimentos duros, pois estes produzirão uma massagem na base dos dentes.


        Jihva dhauti. Diariamente, ao escovar os dentes, passe a escova dental na língua, desde a raiz para a ponta, com bastante água, até remover toda a camada esbranquiçada e junto com esta, resíduos de alimentos e bactérias. A limpeza da língua também pode ser feita utilizando uma colher para raspar e remover o excesso de mucosidade ou esfregando-a com os três dedos maiores e lavando-a com muita água. Atualmente existem aparelhos específicos para este fim.


        Karna dhauti. Lavagem dos ouvidos com o dedo médio. Também podem utilizar-se hastes flexíveis de algodão embebidas em óleo de bétula ou similar, passando-as com cuidado no canal auditivo. Isto não deve fazer-se todo dia, pois retirar a cera com demasiada freqüência pode prejudicar a lubrificação natural dos canais. Karna é ouvido em sânscrito.


       

Kapálarandhra dhauti é a limpeza dos seios frontais. Consiste em estimular e massagear com movimentos circulares a região do intercílio ou fazendo uma leve percussão nesta área com os dedos da mão direita. Essa massagem é tonificante, descansa os olhos e a musculatura do rosto, aumenta o poder de concentração e a lucidez em momentos de esgotamento físico ou intelectual. Kapálarandhra designa o crânio e, mais especificamente, a parte interior dele.



        Chakshu dhauti é a ablução dos olhos feita com água mineral, morna e salgada ou ainda com chá de pétalas de rosa, de camomila ou outras ervas com ação emoliente. Também se pode utilizar soro fisiológico. Para fazer esta purificação precisaremos empregar um copo pequeno de vidro, que encaixe perfeitamente no olho. Verta o líquido no copo, incline a cabeça, coloque e firme o recipiente na cavidade ocular, eleve a cabeça e abra o olho, fazendo o líquido circular. Repita depois a operação com o outro olho.


        Hrid dhauti significa limpeza do coração, embora o termo hrid designe não apenas o coração, mas toda a área do tórax até a garganta, incluindo-se aqui estômago, esôfago, laringe e faringe. O nome provém da purificação que se processa no plexo cardíaco, beneficiando o prána váyu (o ar vital do coração), que é responsável pela captação de energia do meio ambiente.

        Utilize meio litro de água morna e ligeiramente salgada para realizar gargarejo, durante a execução reproduza o mantra Om alternado com a vogal A, jogue a água fora e repita o exercício.

        Este kriya descongestiona a garganta, melhora a voz, limpa as cordas vocais, estimula a tireóide, reduz a fome, auxilia na perda de peso.



Múla shodhana


        Este exercício recebe também o nome de múla dhauti. Consiste em fazer uma lavagem do reto e da última porção do cólon. O apána váyu (ar vital responsável pela excreção) não flui livremente se essa área não estiver purificada. O múla shodhana acaba com a constipação intestinal, problemas digestivos e dispepsia. Introduz-se o dedo médio no reto e fazendo movimentos circulares nos dois sentidos, limpa-se cuidadosamente a região com o auxílio de água. Deve-se prestar atenção para que as unhas estejam bem aparadas.



6 – VASTI


        O vasti inclui dois métodos para a purificação dos intestinos: um feito com água, jala vasti e outro com ar, sthala vasti. No caso do primeiro exercício, necessitará apenas de disponibilidade de tempo, pois este terá a duração de uma a duas horas, dependendo das condições dos intestinos do praticante. Já a segunda técnica exige um domínio total da musculatura do abdômen.

Jala Vasti: Jala é água. Jala vasti é a lavagem dos intestinos, feita com água. O método tradicional faz-se usando uma cânula ou tubo de bambu de cinco dedos de comprimento por um de espessura. Antigamente, quando as fontes de água não estavam poluídas, o praticante ficava dentro de um rio, com a água na altura do umbigo e utilizava o bambu para sugar através dele a água e fazê-la penetrar nos intestinos. Depois expelia-se tudo. Dominando a técnica, ele tinha condições de fazê-la sem o bambu. Concordo com você se achar que estas descrições têm um quê de folclórico, mas considere a época em que estas técnicas foram desenvolvidas (mais de 5000 anos atrás!). Atualmente, na falta de rios cristalinos, podemos realizar o jala vasti com um clister que tenha capacidade para dois litros de água. Esta deve ser mineral, morna e salgada, em proporção igual à utilizada no jala neti.


        Assimilam-se dois litros de água pelo reto. Executa-se uma posição de inversão até sentir forte vontade de evacuar. Este processo deve ser repetido até que a água saia bem clara. A prática de jala vasti aumenta a saúde de um modo geral, o vigor físico e a imunidade. Não se preocupe com a perda da flora intestinal que acontece durante a lavagem, pois ela se regenera e renova rapidamente, o que, aliás, é muito benéfico. Beba iogurte ou coalhada e pronto.

 

Sthala Vasti: Ficando em viparíta karanyásana, a variação mais simples da invertida sobre os ombros, com as costas em um ângulo de 60 graus em relação ao chão, traga os joelhos até o peito. Nesta posição, puxe ar pelo reto, provocando o vazio no abdômen através do nauli kriyá ou uddiyana bandha. Após alguns minutos, expila-o fazendo diversas contrações abdominais.

Prakriti Yoga São Caetano Sul

Formação em yoga e aulas para iniciantes

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